Cobertura com Telha Cerâmica Tipo Romana
A telha cerâmica tipo Romana é uma das opções mais difundidas e versáteis entre as telhas cerâmicas utilizadas no Brasil. Seu formato plano e modular, garante um visual limpo e elegante, adequado tanto para construções tradicionais quanto para projetos contemporâneos. Diferentemente da telha Paulista — composta por duas peças distintas (capa e canal) — a telha Romana é produzida em peça única, que combina a função da capa e do canal, simplificando o assentamento e reduzindo o tempo de instalação. Essa característica assegura uma cobertura mais leve e com menor risco de infiltrações, mantendo o charme natural da cerâmica que há décadas caracteriza as casas brasileiras.
Inclinação e espaçamento: o caimento mínimo recomendado para telhas do tipo Romana é de aproximadamente 30% (equivalente a 17°), ligeiramente menor que o exigido pela telha Paulista. Essa inclinação garante o perfeito escoamento da água da chuva, mesmo em regiões de alta pluviosidade. O espaçamento entre ripas deve ser ajustado conforme o modelo e o fabricante, variando geralmente entre 32 e 34 cm (medidos de eixo a eixo). A uniformidade desse espaçamento é essencial para o correto encaixe das telhas e para a aparência final do telhado, sendo indicado o uso de gabarito durante o assentamento.
Fixação e amarração: em locais sujeitos a ventos fortes, é importante realizar a amarração com fio de arame galvanizado ou de aço inox, especialmente nas fiadas de beiral e cumeeira. Essa prática evita o deslocamento das telhas e contribui para a estabilidade do sistema.
Instalação e sequência: a montagem deve seguir a ordem de baixo para cima, iniciando pelo beiral e utilizando linha-guia para manter o alinhamento das fiadas. As telhas Romana possuem encaixes laterais e longitudinais bem definidos, o que facilita o nivelamento e garante melhor estanqueidade. Após o assentamento das fiadas comuns, procede-se à instalação das cumeeiras, fixadas com argamassa de cal e cimento ou com massas de assentamento flexíveis, selando a parte superior da cobertura. Em pontos críticos como espigões e rincões, recomenda-se o uso de mantas autoadesivas aluminizadas para reforço da impermeabilização.
Cores e acabamentos: as telhas tipo Romana são encontradas em uma ampla variedade de cores e acabamentos. O vermelho natural é o mais tradicional, resultante da queima da argila, mas também há opções em tons ocre, marfim, grafite, bege e chocolate. As versões esmaltadas apresentam acabamento mais liso e brilho suave, reduzindo a absorção de água e dificultando o acúmulo de sujeira, o que prolonga a durabilidade estética do telhado.
Descarga, transporte e armazenamento: por se tratar de um material cerâmico, as telhas devem ser manipuladas com cuidado para evitar trincas. A descarga deve ser feita manualmente, sem arremessar as peças. Armazene as telhas em local seco e nivelado, em pilhas de até 1,20 m de altura, separadas por ripas para ventilação. Evite contato direto com o solo e proteja-as da chuva até o momento do assentamento, prevenindo absorção de umidade e manchas superficiais.
Apesar de mais prática que outros modelos cerâmicos, a telha Romana ainda apresenta peso elevado, exigindo estrutura de apoio bem dimensionada. Como toda telha cerâmica, pode absorver água e gerar aumento de peso após chuvas intensas. Em locais sombreados e úmidos, pode ocorrer o crescimento de musgos entre as telhas, sendo recomendada a limpeza periódica. O custo de transporte e instalação também tende a ser superior ao de coberturas metálicas e de fibrocimento.
Observações adicionais:
- O projeto da estrutura deve garantir o caimento mínimo e o espaçamento entre ripas recomendados pelo fabricante, considerando o peso total da cobertura cerâmica.
- As cumeeiras devem ser instaladas por último, após o alinhamento completo das fiadas, respeitando sobreposição mínima de 8 a 10 cm.
- Evite caminhar diretamente sobre as telhas; utilize tábuas para distribuir o peso e prevenir trincas.
- Para maior durabilidade, reaplique impermeabilizantes e vernizes cerâmicos a cada 2 ou 3 anos, reduzindo a absorção de água e o aparecimento de fungos.
- Em regiões com ventos intensos, reforce a amarração das fiadas laterais e próximas à cumeeira com fio de arame galvanizado.
Evolução e tendência:
As telhas cerâmicas dominaram o cenário das construções residenciais brasileiras por séculos, desde o período colonial, com a produção sendo feita manualmente pelos escravos, que moldavam a argila nas suas pernas. Esta tendencia perdurou até os anos de 1980. As telhas ceramicas eram símbolo de qualidade e conforto, amplamente empregadas em casas térreas e sobrados com telhados aparentes e beirais largos.A partir de 1976, surgiram as telhas de concreto, impulsionadas pela popularização da marca Tégula, cujas telhas possuiam uma melhor padronização dimensional, melhor encaixe e facilidade de instalação.
Nas construções mais recentes, observa-se uma tendência arquitetônica distinta: o telhado embutido — em que toda a cobertura fica oculta por platibandas — conferindo aspecto moderno e minimalista às edificações. Essa mudança reflete não apenas uma evolução estética, mas também o avanço dos materiais e sistemas construtivos, com foco na praticidade e design contemporâneo.