Formas para escadas em tábuas.

Formas de Tábuas para escadas

Forma de tabuas para escadas

A preparação de formas para escadas utilizando tábuas de pinus é um dos serviços mais delicados e criteriosos da construção civil. Embora o princípio seja o mesmo das formas convencionais — criar moldes temporários que serão preenchidos com armaduras e concreto — no caso das escadas, o nível de precisão exigido é muito maior. Ao contrário das formas de vigas e pilares, que admitem pequenas tolerâncias geométricas de 1 a 2 centímetros sem comprometer a segurança, uma escada deve ser construída com precisão milimétrica. Uma diferença de apenas 5 mm na altura de um degrau é suficiente para causar tropeços e acidentes graves aos usuários.

Outro diferencial importante é o corte das peças de madeira. Enquanto as formas convencionais utilizam tábuas inteiras, nas escadas as peças devem ser recortadas em pequenos segmentos que formam os espelhos (parte vertical) e eventualmente os pisos (parte horizontal) de cada degrau. Isso inviabiliza a reutilização dessas madeiras em formas de vigas ou pilares, limitando seu reaproveitamento apenas a outro lance de escada. Por esse motivo, a forma de escada costuma ter um custo maior por metro quadrado de madeira empregada, além de demandar carpinteiros mais experientes.

O trabalho inicia-se com a marcação rigorosa das alturas dos espelhos e profundidades dos pisos conforme o projeto arquitetônico e estrutural. Em escadas internas e externas, a norma estabelece altura máxima de degrau e largura mínima de piso, e essas dimensões devem ser seguidas com total fidelidade. A geometria da escada influencia diretamente o conforto dos usuários e a segurança do deslocamento.

A montagem das formas deve ser executada com tábuas bem alinhadas, aprumadas e rigidamente travadas. O travamento precisa suportar o peso do concreto fresco, o trânsito dos operários e os impactos gerados pela mangueira de bombeamento do concreto quando houver. Assim como nas formas convencionais, pode-se utilizar sarrafos, pregos, arame e cunhas; contudo, em escadas é recomendável reforçar os travamentos, pois pequenas vibrações podem alterar a altura dos espelhos antes da cura do concreto.

Por envolver muitos recortes, é indispensável que o carpinteiro utilize ferramentas em bom estado: serra circular, trena, esquadro, nível de bolha ou nível laser, martelo e formão. A precisão do esquadro entre espelho e piso é determinante para o bom resultado – qualquer milímetro fora do eixo compromete o conjunto inteiro.

Antes da concretagem, as formas devem receber desmoldante, facilitando a retirada das tábuas após a cura. Em seguida, é essencial limpar todo o interior da forma, retirando serragem, pregos e resíduos que podem interferir no acabamento do concreto. A armação deve ser posicionada conforme o projeto estrutural, garantindo a correta ancoragem nos patamares, lajes e vigas de apoio.

Durante a concretagem, o adensamento deve ser realizado com extremo cuidado. O vibrador deve ser aplicado com moderação, evitando deslocar as formas e preservando a geometria dos degraus. Após a cura inicial, recomenda-se cobrir a escada para evitar trincas provocadas pelo sol e pelo vento.


Observações adicionais

  • A execução deve seguir rigorosamente o projeto: diferenças pequenas entre degraus podem gerar acidentes graves.
  • As madeiras recortadas dificilmente podem ser reutilizadas em outras formas, aumentando o custo por metro quadrado.
  • A conferência do nível de cada degrau deve ser feita cuidadosamente, se possível, com nível laser ou equipamento equivalente.
  • As formas devem permanecer travadas até que o concreto atinja resistência mínima compatível com o uso.
  • O engenheiro responsável deve liberar a forma antes da concretagem e inspecionar o alinhamento dos degraus.

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