Por Eng. Renato Castanho Savio Publicado em

Instalações com tubos de cobre para água quente e gás

instalação hidráulica com tubos de cobre para água quente

Um pequeno tubo de cobre escondido dentro da parede pode transportar conforto (água quente) ou combustível (gás). Quando conduz água quente, uma falha provoca vazamento; quando conduz gás, o mesmo descuido pode colocar vidas em risco.

Os tubos de cobre são utilizados há décadas nas instalações prediais e continuam sendo uma solução importante, principalmente para água quente e redes de gás combustível.

O material possui boa resistência mecânica, suporta temperaturas elevadas, apresenta longa durabilidade quando corretamente especificado e dispõe de grande variedade de conexões.

Mas água quente e gás não são a mesma instalação. Os tubos, conexões, procedimentos de união, testes e critérios de segurança precisam ser compatíveis com o fluido transportado e com o projeto.

Portanto, não compre um tubo simplesmente porque “é de cobre”. Primeiro descubra qual tubo de cobre o projeto especificou.

Onde utilizamos tubos de cobre?

Nas edificações, o cobre pode ser encontrado em diferentes instalações, entre elas:

  • distribuição de água quente;
  • água fria em aplicações específicas;
  • redes de gás natural;
  • redes de GLP;
  • sistemas de aquecimento;
  • instalações solares térmicas;
  • outras redes técnicas previstas em projeto.

Os tubos rígidos de cobre para condução de fluidos são fabricados em diferentes classes, tradicionalmente identificadas como E, A e I.

A diferença principal está na espessura da parede do tubo. Para um mesmo diâmetro, uma classe com parede mais espessa apresenta maior resistência mecânica e maior capacidade de trabalhar sob pressão.

Isso não significa que devemos sempre comprar o tubo mais grosso “para garantir”. A classe adequada depende da aplicação, pressão, método de instalação, normas e projeto.

Existem também tubos de cobre flexíveis, utilizados em aplicações específicas. Em instalações de gás, por exemplo, seu emprego e forma de conexão precisam obedecer aos requisitos próprios do sistema.

A escolha do tubo deve ser feita pelo projeto, e não pelo preço e aparência do tubo na loja.

Cobre não é mais a única opção para água quente

Durante muitos anos, falar em instalação de água quente praticamente significava falar em cobre.

Hoje existem sistemas plásticos desenvolvidos especificamente para trabalhar com água quente, entre eles o CPVC e o PPR.

O CPVC utiliza tubos e conexões próprios para temperaturas superiores às suportadas pelo PVC comum e possui montagem relativamente simples por união química, conforme o sistema do fabricante.

O PPR, por sua vez, utiliza conexões unidas normalmente por termofusão. A superfície do tubo e da conexão é aquecida por equipamento apropriado e as duas peças são unidas, formando uma ligação permanente.

Esses materiais reduziram bastante a dependência do cobre em instalações de água quente.

Mas atenção: uma tubulação apropriada para água quente não se torna automaticamente apropriada para gás.

Para gás combustível devem ser utilizados somente materiais e sistemas especificamente aprovados para essa finalidade, conforme projeto, normas técnicas e exigências da concessionária local.

Projeto não é luxo – principalmente quando existe gás

O projeto define muito mais do que o caminho dos tubos. Em uma instalação de água quente, ele deve considerar:

  • vazão;
  • pressão;
  • temperatura;
  • diâmetros;
  • isolamento térmico;
  • dilatação;
  • registros;
  • posição dos equipamentos de aquecimento.

Em uma rede de gás entram ainda questões de segurança, como materiais permitidos, ventilação, localização de registros, pressão de operação, proteção das tubulações e condições dos ambientes onde serão instalados os aparelhos.

Em instalações residenciais de gás combustível, a principal referência técnica é a ABNT NBR 15526, além das normas específicas de materiais, conexões e execução. A concessionária de gás da região também pode estabelecer requisitos adicionais.

Não é uma instalação apropriada para experiências do tipo: “sempre fizemos assim e nunca aconteceu nada”.

Tubos e conexões disponíveis

O mercado oferece tubos de cobre rígidos e flexíveis em diferentes diâmetros e espessuras, além de grande variedade de conexões.

Entre as mais comuns estão:

  • joelhos: mudanças de direção;
  • curvas: permitem desvios mais suaves;
  • tês: executam derivações;
  • luvas: unem dois trechos de tubo;
  • reduções: fazem transição de diâmetros;
  • adaptadores: permitem ligação com peças rosqueáveis;
  • uniões: facilitam desmontagens futuras;
  • conexões com terminais roscados: utilizadas em registros e equipamentos.

Há diferentes métodos de união, como soldagem ou brasagem capilar, conexões por compressão e outros sistemas previstos para cada aplicação.

Não substitua uma conexão especificada por uma montagem improvisada com várias peças apenas porque faltou o componente correto. Cada união adicional significa mais mão de obra e mais um possível ponto de vazamento.

Água quente faz o tubo se movimentar

Todo material varia de dimensão quando sua temperatura muda.

Uma tubulação de cobre que recebe água quente aquece e se dilata. Quando esfria, contrai novamente.

Em um trecho pequeno, essa movimentação pode ser discreta. Em uma tubulação longa e rigidamente presa entre dois pontos, as forças geradas podem se tornar significativas. Por isso, o projeto precisa considerar:

  • mudanças naturais de direção da rede;
  • pontos fixos e suportes;
  • folgas em travessias;
  • juntas ou dispositivos de expansão quando necessários;
  • espaço para movimentação da tubulação.

Um erro comum é chumbar rigidamente um longo trecho de tubo de água quente sem permitir qualquer movimento. Quando a rede aquece, ela procura espaço para crescer. Se não encontra, a tensão será transmitida às conexões, fixações e revestimentos.

O tubo não deixa de se dilatar só porque o pedreiro colocou argamassa em volta dele.

Como soldar tubos e conexões de cobre?

A união capilar é uma das técnicas tradicionais de montagem das tubulações de cobre. O princípio é interessante: existe uma pequena folga entre tubo e conexão. Quando o metal de adição é aquecido e funde, ele é conduzido para o interior dessa folga pelo efeito de capilaridade.

O procedimento varia conforme o sistema e o tipo de solda ou brasagem especificado, mas alguns cuidados são básicos.

  1. Corte o tubo corretamente. O corte deve ser perpendicular e sem deformar sua extremidade.
  2. Retire as rebarbas. Faça o acabamento interno e externo.
  3. Limpe as superfícies. A região do tubo e o interior da conexão devem estar livres de sujeira e oxidação superficial inadequada.
  4. Monte as peças na posição correta. Confira medidas antes de aquecer.
  5. Utilize fluxo quando previsto para o processo. Empregue somente produtos compatíveis com a aplicação.
  6. Aqueça de maneira uniforme. A função da chama é aquecer adequadamente tubo e conexão, não derreter o tubo.
  7. Aplique o metal de adição. Na temperatura correta, ele deve penetrar na junta por capilaridade.
  8. Deixe a conexão resfriar naturalmente.
  9. Limpe a junta conforme o procedimento recomendado.

Existem processos de soldagem capilar branda e de brasagem capilar, também chamada de solda forte. A escolha depende da instalação, pressão e requisitos técnicos.

Em redes de gás, não assuma que qualquer solda utilizada em uma tubulação de água pode ser repetida. O procedimento, o material de adição e a qualificação do instalador precisam ser compatíveis com a rede de gás.

Como usar fita veda rosca

instalação de fita veda rosca de forma correta

Quando uma conexão possui rosca, pode ser necessário utilizar material de vedação compatível com o fluido transportado.

A fita de PTFE, popularmente chamada de fita veda rosca, deve ser aplicada sobre a rosca macho.

Limpe a rosca, coloque a fita no mesmo sentido do rosqueamento e mantenha-a bem assentada nos filetes. Evite cobrir a abertura interna da conexão e não crie uma camada exageradamente grossa.

Comece o rosqueamento manualmente e utilize a ferramenta adequada apenas para o aperto final. Mais fita e mais força não garantem melhor vedação.

Em redes de gás, utilize somente produtos de vedação expressamente adequados ao gás utilizado e ao sistema especificado.

Muito cuidado com tubulações de gás confinadas

Uma tubulação de gás merece atenção especial quando passa por locais enterrados, fechados ou pouco ventilados. O problema não é apenas o vazamento.

O grande perigo aparece quando o gás que escapa encontra um lugar onde consegue se acumular.

Um caso que marcou a engenharia brasileira ocorreu em 1996, no Osasco Plaza Shopping, na Grande São Paulo. Uma tubulação de GLP apresentava vazamento em um vão existente entre o solo e o piso do shopping. Esse espaço era confinado e não possuía ventilação adequada. O gás se acumulou até encontrar uma fonte de ignição. A explosão matou 42 pessoas e feriu centenas.

A tragédia é uma lembrança importante de que tubulações de gás não podem ser escondidas em vazios construtivos de qualquer maneira.

Quando uma tubulação atravessa shafts, pisos, paredes, espaços técnicos ou trechos enterrados, sua instalação deve obedecer rigorosamente às condições previstas no projeto e na norma.

Também não se deve abandonar dentro da construção um trecho de tubulação de gás simplesmente fechando sua extremidade e esquecendo que ele existe. Redes desativadas precisam ser tratadas conforme procedimento técnico seguro.

Gás vazando em área aberta é perigoso. Gás vazando em um espaço fechado pode ser muito mais perigoso.

Proteja os tubos enterrados

Quando o projeto permitir tubulações enterradas, o tubo precisa ser protegido contra esforços mecânicos, corrosão e contato inadequado com o solo ou materiais agressivos, conforme o sistema especificado.

Também é importante conhecer exatamente o trajeto da rede. Uma tubulação enterrada que ninguém sabe onde passa pode ser atingida anos depois durante uma escavação, instalação de poste, construção de muro ou reforma.

Por isso, além das proteções previstas no projeto, sinalize e registre sua posição.

Teste de estanqueidade não é opcional

Terminada a instalação, vem uma das etapas mais importantes: verificar se ela realmente está estanque.

Nas redes de água quente, o ensaio deve seguir os procedimentos definidos para o sistema, verificando tubos, conexões, registros e demais componentes antes de fechar paredes e revestimentos.

Nas redes de gás, o teste de estanqueidade é uma etapa de segurança essencial e deve ser realizado conforme a norma, o projeto e as exigências da concessionária.

Utiliza-se equipamento apropriado para pressurizar e acompanhar a rede durante o período estabelecido pelo procedimento. Se houver perda de pressão além do permitido, é necessário localizar e corrigir o problema.

Nunca procure vazamento de gás utilizando chama. E não considere uma instalação aprovada apenas porque “não está com cheiro”. Um vazamento pequeno pode existir mesmo sem ser percebido pelas pessoas presentes.

Importante: Primeiro teste, depois esconda a tubulação.

Registre a instalação com fotografias

Assim como nas demais instalações hidráulicas, fotografe toda a rede antes de fechar os rasgos, shafts e forros.

Faça fotos gerais e próximas, registrando:

  • trajeto das tubulações;
  • registros;
  • conexões;
  • mudanças de direção;
  • pontos de aparelhos;
  • travessias de paredes e pisos;
  • trechos que posteriormente ficarão escondidos.

Sempre que possível, coloque uma trena na imagem ou utilize portas, janelas e outros elementos fixos como referência.

Depois organize os arquivos por ambiente e por sistema:

  • ÁGUA QUENTE – SUÍTE;
  • ÁGUA QUENTE – COZINHA;
  • GÁS – COZINHA;
  • GÁS – AQUECEDOR;
  • GÁS – PRUMADA.

Uma fotografia pode evitar que, anos depois, alguém atravesse uma tubulação com uma broca ao instalar um armário. Em rede de água isso significa vazamento e reforma. Em uma rede de gás, a consequência pode ser muito mais séria.

O projeto registra o que deveria ser executado. A fotografia registra o que realmente ficou dentro da construção.


Resumo

  • O cobre continua sendo utilizado em instalações de água quente e gás.
  • Existem diferentes classes e espessuras de tubos; utilize exatamente aquela especificada para o sistema.
  • CPVC e PPR são alternativas bastante utilizadas para água quente, mas não devem ser considerados automaticamente apropriados para gás.
  • Instalações de gás devem seguir projeto, normas técnicas e exigências da concessionária.
  • Conheça as conexões disponíveis e evite adaptações improvisadas.
  • Em redes de água quente, considere a dilatação térmica das tubulações.
  • A união de cobre exige corte, limpeza, aquecimento e metal de adição adequados.
  • Soldagem branda e brasagem não são procedimentos equivalentes; utilize o processo previsto para a instalação.
  • Nas roscas, utilize material de vedação compatível com água ou gás, conforme a aplicação.
  • Tubulações de gás não podem ser confinadas ou enterradas de maneira improvisada.
  • Redes de gás desativadas também precisam receber tratamento técnico adequado.
  • Faça sempre o teste de estanqueidade antes de fechar paredes e revestimentos.
  • Nunca procure vazamento de gás com chama.
  • Fotografe as tubulações antes de escondê-las.

O tubo de cobre é um material tradicional, resistente e confiável, mas nenhuma dessas qualidades corrige uma instalação mal executada.

Em redes de água quente, os detalhes fazem diferença para evitar vazamentos e problemas de dilatação. Nas redes de gás, esses mesmos detalhes passam a envolver também a segurança das pessoas.

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