Por Eng. Renato Castanho Savio Publicado em

Instalando a rede de água fria com tubos de PVC marrom

rede de água fria em tubos de PVC marrom

Quando a água não sai por onde deve ou entra por onde não pode, é quase certo que existe algum problema nas instalações prediais.

Uma boa instalação de água fria é aquela que praticamente desaparece depois da obra pronta. Você abre a torneira, toma banho, aciona a descarga e tudo funciona normalmente. Quando o sistema foi bem projetado e executado corretamente, ninguém lembra dele.

Mas quando foi mal executado, todos lembram. Chuveiro com pouca pressão, água que diminui quando alguém dá a descarga, registro que fecha a casa inteira e vazamentos dentro das paredes são problemas comuns que geram desconforto e podem exigir reformas caras para serem corrigidos.

Em residências e edificações comerciais, um dos sistemas mais utilizados para condução de água fria é formado por tubos e conexões de PVC rígido soldável, tradicionalmente identificados pela cor marrom.

Os fabricantes oferecem uma enorme variedade de tubos, joelhos, curvas, tês, luvas, adaptadores, registros e válvulas. Para quem está começando, uma loja de materiais hidráulicos pode parecer uma coleção de centenas de pecinhas quase iguais. Mas cada uma existe por uma razão.

Conhecer as peças corretas e evitar improvisações é um dos primeiros passos para executar uma boa rede hidráulica.

Projeto hidráulico não é luxo

Em obras com orçamento limitado, é relativamente comum contratar os projetos arquitetônico e estrutural e deixar as instalações hidráulicas para serem definidas diretamente pelo instalador.

Um encanador experiente é fundamental para uma boa execução, mas o projeto hidráulico define questões que não deveriam ser resolvidas apenas durante a montagem.

É no projeto que são definidos:

  • diâmetros das tubulações;
  • vazões e pressões necessárias;
  • posição dos registros;
  • caminho das redes;
  • alimentação dos reservatórios;
  • interferências com estrutura e outras instalações;
  • condições para futura manutenção.

Os sistemas prediais de água fria e quente devem considerar as diretrizes da ABNT NBR 5626.

Um bom projeto não busca apenas fazer a água chegar à torneira. Ele procura garantir conforto de uso, pressão adequada, facilidade de manutenção e compatibilidade com toda a obra.

As redes básicas de água fria

Em uma edificação com reservatório superior encontramos normalmente três tubulações principais.

Tubulação de abastecimento: leva a água fornecida pela concessionária, a partir do cavalete e hidrômetro, até a caixa d'água. Em edifícios maiores pode existir reservatório inferior e sistema de bombeamento.

Rede de distribuição: parte do reservatório e conduz a água até chuveiros, lavatórios, pias, tanques, vasos sanitários, máquinas de lavar e outros pontos de consumo.

Extravasor ou “ladrão”: conduz para local seguro a água que excede o nível máximo do reservatório caso a torneira de boia apresente defeito.

O ponto de descarga do ladrão deve ficar visível. Se ele descarregar silenciosamente dentro de um ralo ou caixa de passagem, a torneira de boia poderá permanecer defeituosa durante semanas sem que ninguém perceba, até que chegue a conta de água.

Outras redes de água

Dependendo do imóvel, podem existir ainda tubulações destinadas a piscinas, irrigação, sistemas de bombeamento, aquecimento, água de reuso ou alimentação direta da concessionária.

Redes com finalidades diferentes precisam ser corretamente projetadas, identificadas e separadas. A água de reuso, por exemplo, não pode ser confundida ou interligada indevidamente à rede de água potável.

Tubos e conexões de PVC marrom

conexões para tubos de PVC marrom

Os fabricantes disponibilizam tubos soldáveis em vários diâmetros, normalmente em barras de 3 ou 6 metros. Entre os diâmetros encontrados nas linhas comerciais estão 20, 25, 32, 40, 50, 60 mm e medidas superiores.

O diâmetro não deve ser escolhido simplesmente pelo menor preço ou “a olho”. Ele depende da vazão necessária, pressão disponível, comprimento da tubulação e perdas de carga.

Entre as conexões mais utilizadas estão:

  • joelhos de 45° e 90°: mudanças de direção;
  • curvas: mudanças de direção com raio mais suave;
  • tês: derivações da tubulação;
  • luvas: união de dois tubos em linha reta;
  • reduções: transição entre diâmetros diferentes;
  • uniões: permitem desmontar um trecho posteriormente;
  • adaptadores: fazem a transição entre conexões soldáveis e rosqueáveis;
  • caps: fecham extremidades.

Existem conexões soldáveis, conexões rosqueáveis e peças que fazem a transição entre os dois sistemas. Em instalações rosqueáveis, chamamos de macho a rosca externa e de fêmea a rosca interna.

Conhecer o catálogo do fabricante evita uma situação muito comum: montar três adaptadores diferentes para executar algo que poderia ser resolvido com uma única conexão correta.

Cada conexão desnecessária representa mais trabalho, mais custo, mais perda de carga e mais um possível ponto de vazamento.

Não improvise

Evite práticas como aquecer tubos com fogo para fazer curvas, tentar encaixar um tubo dentro de outro sem uma luva, reaproveitar conexões já coladas ou executar uma sequência de reduções porque faltou a peça correta.

Se o fabricante desenvolveu uma conexão específica para aquela função, utilize-a.

Válvulas e registros

válvulas e registros mais utilizados em obras residenciais

Além de transportar a água, precisamos controlar sua passagem.

  • Registro de pressão: permite regular gradualmente a vazão. O exemplo mais conhecido é o registro do chuveiro.
  • Registro de gaveta: utilizado principalmente para interromper o fluxo em um ramal durante manutenções. Normalmente trabalha totalmente aberto ou fechado.
  • Registro de esfera: abre e fecha rapidamente com cerca de um quarto de volta e produz baixa resistência quando totalmente aberto.
  • Torneira de boia: controla automaticamente a entrada de água no reservatório.
  • Válvula de retenção: permite fluxo em apenas um sentido, evitando retorno de água.
  • Válvula redutora de pressão: reduz pressões excessivas, situação frequente nos pavimentos inferiores de edifícios altos.
  • Válvula de pé: utilizada em sistemas de sucção de bombas, ajudando a impedir o retorno da água.

Uma instalação bem planejada também deve possuir registros em posições que permitam manutenção sem precisar interromper o abastecimento de toda a edificação.

Como colar tubos e conexões

A união soldável do PVC parece simples e realmente é, desde que sejam respeitados alguns cuidados. Pequenos erros nesta etapa são responsáveis por muitos vazamentos.

O procedimento exato deve sempre seguir as instruções do fabricante do sistema, mas de forma geral:

  1. Corte o tubo perpendicularmente. Um corte torto prejudica o encaixe dentro da bolsa.
  2. Remova as rebarbas. Faça o acabamento das bordas internas e externas.
  3. Confira a montagem antes de colar. Verifique medidas, posição e orientação das conexões.
  4. Limpe e prepare as superfícies. Poeira, óleo e sujeira prejudicam a união. Utilize somente os produtos recomendados pelo fabricante.
  5. Aplique o adesivo adequado. Nem pouco demais, nem uma quantidade exagerada.
  6. Faça o encaixe imediatamente. Introduza o tubo corretamente na bolsa e mantenha a peça posicionada conforme a orientação do produto.
  7. Retire o excesso externo.
  8. Respeite o tempo de cura. Não coloque a tubulação sob pressão imediatamente após a colagem.

Nunca tente recuperar uma conexão soldável retirando o pedaço de tubo que ficou colado em seu interior. A economia de uma conexão nova não compensa o risco de abrir uma parede pronta para corrigir um vazamento.

Como utilizar a fita veda rosca

como instalar corretamente a fita veda rosca em conexões

A fita de PTFE, conhecida como fita veda rosca, é utilizada nas conexões rosqueáveis e deve ser aplicada sobre a rosca macho.

A rosca deve estar limpa e sem danos. Enrole a fita no mesmo sentido em que a conexão será rosqueada, mantendo-a esticada e bem assentada nos filetes.

Evite deixar fita sobre a abertura do tubo e não exagere na quantidade.

Depois, inicie o rosqueamento manualmente e finalize o aperto com a ferramenta apropriada quando necessário.

Mais fita e mais força não significam melhor vedação. Uma camada exagerada ou aperto excessivo pode inclusive trincar conexões plásticas.

Entenda a perda de carga

Enquanto a água percorre um tubo, perde parte de sua energia pelo atrito com as paredes internas. Joelhos, tês, registros, reduções e mudanças de direção também aumentam essa resistência.

Chamamos essa redução da energia disponível de perda de carga.

Quanto maior o comprimento da instalação, menor o diâmetro e maior a quantidade de conexões, maior tende a ser a perda.

Por isso, não é correto utilizar tubo de 20 mm em toda a instalação simplesmente porque custa menos.

Como orientação prática, diâmetros pequenos como 20 ou 25 mm aparecem frequentemente nos trechos finais próximos aos pontos de consumo, enquanto barriletes, colunas e ramais que abastecem diversos pontos podem exigir diâmetros maiores.

O dimensionamento correto deve ser definido no projeto hidráulico.

Também por causa da perda de carga, uma curva de raio maior tende a oferecer menor resistência ao escoamento que um joelho de 90°. Isso não significa que joelhos não devam ser utilizados, mas sim que não convém substituir peças previstas em projeto sem avaliar as consequências.

O que é o barrilete hidráulico?

barrilete hidráulico em uma residência

O barrilete é o conjunto de tubulações localizado próximo ao reservatório e responsável por distribuir água para diferentes regiões ou colunas da edificação.

Ele funciona como uma central de distribuição.

Em uma residência maior, pode haver ramais separados para banheiros, cozinha, lavanderia, jardim ou diferentes pavimentos.

Essas instalações ficam frequentemente entre a laje e o telhado, em nichos ou áreas técnicas. Como os tubos e registros costumam ficar aparentes, organize-os de maneira lógica e acessível.

Também vale identificar cada registro com placas ou etiquetas permanentes:

  • REGISTRO GERAL;
  • COZINHA;
  • SUÍTE;
  • BANHEIRO SOCIAL;
  • ÁREA DE SERVIÇO;
  • ABASTECIMENTO DA CAIXA;
  • RECALQUE.

Daqui a quinze anos, durante um vazamento, ninguém vai querer descobrir qual registro fecha o banheiro testando um por um.

Proteja os canos de PVC exposto ao sol

Tubulações de PVC destinadas a instalações protegidas não devem permanecer continuamente expostas às intempéries sem os cuidados recomendados pelo fabricante.

A exposição prolongada ao sol e à radiação ultravioleta pode provocar envelhecimento do material e alteração de suas características superficiais.

Em áreas externas, utilize proteção adequada, carenagens, shafts ou sistemas desenvolvidos para essa condição.

Trechos longos aparentes também precisam considerar movimentações provocadas pela variação de temperatura, além de fixação e espaçamento corretos dos suportes.

Teste antes de revestir as paredes

Terminada a instalação, não tenha pressa para esconder tudo com argamassa e revestimentos.

Primeiro, encha o reservatório e coloque a rede em funcionamento.

Abra progressivamente os pontos de consumo para retirar o ar existente nas tubulações. Torneiras provisórias podem ser utilizadas durante essa etapa. Deixe a água correr até que o fluxo fique regular.

Depois feche os pontos e observe cuidadosamente:

  • conexões soldáveis;
  • juntas rosqueadas;
  • registros;
  • possíveis gotejamentos;
  • qualquer sinal de umidade.

Além dessa inspeção simples, a instalação deve ser submetida ao ensaio de estanqueidade previsto para o sistema. O teste hidrostático utiliza a própria água para pressurizar a rede e verificar se existem vazamentos ou perda de pressão.

Não improvise testes com ar comprimido em tubulações plásticas. O ar pressurizado armazena energia e, em caso de ruptura, pode provocar acidentes.

Vale a pena manter a rede cheia durante a obra?

Depois de testada, muitos profissionais preferem manter a instalação com água durante etapas posteriores.

Imagine que outro trabalhador coloque um prego provisório na parede e perfure um tubo embutido. Se a rede estiver vazia, talvez ninguém perceba. O revestimento é executado e o vazamento aparece somente depois da obra pronta.

Se o tubo estiver com água, o problema tende a se revelar imediatamente.

Registre a instalação com fotos

engenheiro da obra fotografando as canalizações antes de revestir a parede

Este é um dos cuidados mais baratos e úteis da instalação: fotografe as tubulações antes de fechar os rasgos.

Depois do emboço, revestimentos e pintura, ninguém consegue enxergar por onde passam os tubos.

Anos mais tarde alguém decide instalar um espelho, armário, suporte de toalhas ou prateleira e surge a pergunta:

“Será que posso furar aqui?”

E a Lei de Murphy parece ter uma simpatia especial por tubulações hidráulicas.

Faça fotos gerais e também próximas dos registros, derivações e mudanças de direção. Sempre que possível, inclua uma trena ou algum elemento conhecido como referência de posição.

Depois, organize as imagens por ambiente:

  • HIDRÁULICA – COZINHA;
  • HIDRÁULICA – SUÍTE;
  • HIDRÁULICA – BANHEIRO SOCIAL;
  • HIDRÁULICA – BARRILETE.

Se você estiver construindo para terceiros, entregue esse arquivo ao cliente junto com a documentação final da obra.

Mesmo existindo um projeto executivo detalhado, as fotografias continuam valiosas porque pequenos ajustes de posicionamento podem ocorrer durante a execução.

O projeto registra o que deveria ser construído. A fotografia registra o que realmente foi construído.


Resumo

  • Uma boa instalação de água fria começa pelo projeto hidráulico.
  • O PVC soldável marrom é amplamente utilizado em residências e pequenas edificações comerciais.
  • Conheça as conexões disponíveis e evite improvisações.
  • O diâmetro dos tubos deve resultar do dimensionamento hidráulico.
  • Registros e válvulas devem ser escolhidos conforme sua função.
  • Uma boa colagem depende de corte correto, limpeza, adesivo apropriado e tempo de cura.
  • A fita veda rosca deve ser aplicada sobre a rosca macho, sem exageros.
  • Comprimentos excessivos, diâmetros pequenos e muitas conexões aumentam a perda de carga.
  • Organize e identifique registros e tubulações do barrilete.
  • Proteja tubulações de PVC quando expostas ao sol.
  • Teste toda a instalação antes de revestir as paredes.
  • Fotografe as tubulações embutidas e arquive as imagens.

Instalar tubos de água fria parece simples quando observamos apenas os canos marrons encaixados nas paredes. Mas uma boa rede hidráulica depende principalmente daquilo que não aparece depois da construção pronta: planejamento e cuidado na execução.

É preciso escolher o caminho correto, dimensionar os tubos, utilizar a conexão adequada, executar boas colagens, instalar registros, testar e pensar na manutenção futura.

Uma instalação hidráulica bem executada é aquela que passa décadas escondida dentro da parede sem dar notícia.

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