Por Eng. Renato Castanho Savio Publicado em Atualizado em

Plantio de grama esmeralda: parece fácil, mas tem seus segredos

Plantio de grama esmeralda em placas com preparo do solo e rega inicial

Estender placas de grama sobre a terra é fácil; conseguir um gramado verde, uniforme e saudável depende principalmente daquilo que você fez antes de colocar a primeira placa.

A grama-esmeralda (Zoysia japonica) é uma das espécies mais utilizadas em jardins residenciais, condomínios e áreas comerciais no Brasil. Forma um gramado relativamente denso, de folhas estreitas, boa aparência e resistência razoável ao pisoteio, sendo uma excelente opção para jardins e áreas de lazer.

Mas não basta comprar as placas, colocá-las sobre o terreno e jogar água. Um gramado saudável depende de solo adequado, insolação, drenagem, nutrientes e manutenção. Muitos problemas que aparecem meses depois do plantio começaram justamente na preparação do terreno.

Este artigo trata do plantio em áreas relativamente planas ou com pequena declividade. Em taludes, as placas precisam de cuidados adicionais para não escorregarem antes do enraizamento — assunto abordado em outro artigo.

Antes da grama, prepare o terreno

Em obras novas, a região externa costuma receber todo tipo de agressão durante a construção: circulação de caminhões, pilhas de blocos, areia, madeira, restos de concreto e entulho. O resultado frequentemente é um solo extremamente compactado e contaminado com resíduos de obra.

Antes do plantio, retire pedras, pedaços de concreto, plásticos, madeiras, raízes grossas e outros materiais. Corrija buracos e depressões, lembrando que pequenas irregularidades existentes agora continuarão aparecendo depois que a grama estiver instalada e podem formar pontos de acúmulo de água.

Depois, revolva superficialmente o solo. Em áreas pequenas, enxada e ferramentas manuais resolvem o problema; em grandes jardins pode valer a pena utilizar equipamento mecanizado. O objetivo é quebrar a camada superficial compactada e criar condições para que as novas raízes consigam penetrar no terreno.

Segredo do serviço: grama colocada sobre solo duro pode continuar verde por algum tempo graças às raízes existentes na placa, mas terá dificuldade para criar raízes novas no terreno. Antes do plantio, confira se a camada superficial está solta e sem torrões grandes, sem transformar o terreno em lama.

Verifique também a drenagem

A grama precisa de água, mas isso não significa que goste de viver encharcada. Se após uma chuva normal permanecerem poças durante muito tempo, convém resolver a drenagem antes do plantio.

O problema pode estar na falta de caimento superficial, em depressões ou em uma camada de solo excessivamente compactada e pouco permeável. Dependendo do local, podem ser necessários ajustes de nível, substituição ou melhoria do solo e até sistemas de drenagem com tubulações perfuradas.

Água permanentemente acumulada reduz a oxigenação das raízes e favorece doenças. Portanto, prepare o terreno para reter a umidade necessária, mas também permitir o escoamento do excesso.

E o pH e a adubação do solo?

A aparência da superfície não revela necessariamente se o solo possui os nutrientes necessários. Para jardins maiores ou quando se deseja um gramado de excelente qualidade, vale a pena realizar uma análise de solo. É um ensaio relativamente simples que permite conhecer pH, acidez e disponibilidade de nutrientes.

Se o solo estiver excessivamente ácido, pode ser recomendada a aplicação de calcário para correção do pH. A quantidade não deve ser escolhida simplesmente “no olho”: depende das características encontradas na análise.

A adubação também deve ser compatível com o solo. Fertilizantes fornecem nutrientes importantes, principalmente nitrogênio, fósforo e potássio, mas adubo em excesso não faz a grama crescer duas vezes mais depressa — pode inclusive provocar queimaduras e prejudicar o gramado.

Em solos muito pobres, a incorporação de terra vegetal de boa procedência e matéria orgânica estabilizada pode melhorar as condições para o enraizamento.

Grama-esmeralda precisa de sol

Árvore frondosa sombreando parte do gramado de grama esmeralda, com falhas e amarelecimento

Antes de escolher a espécie, observe quantas horas de insolação direta aquela região recebe. A grama-esmeralda prefere locais ensolarados e pode tolerar alguma sombra parcial, mas perde densidade quando permanece em sombra intensa por longos períodos.

É bastante comum o gramado ficar bonito no centro do jardim e começar a rarear junto a muros altos, sob árvores densas ou ao lado de construções que impedem a entrada do sol. Nessas regiões, insistir com a mesma espécie pode significar substituir placas repetidamente sem resolver a causa.

Se o local recebe pouca luz, procure uma espécie mais tolerante à sombra ou considere outra solução paisagística, como forrações próprias para meia-sombra, pedras ornamentais ou canteiros.

Não existe adubo capaz de substituir o sol que uma planta precisa receber.

Chegou a grama: não deixe os rolos esperando

A grama-esmeralda normalmente é fornecida em placas ou rolos. Depois de retirada do local de produção, começa uma corrida contra o tempo.

Placas empilhadas aquecem internamente e perdem umidade. Em dias quentes, esse processo pode ser rápido. Por isso, organize previamente o terreno e programe a entrega para quando a equipe estiver pronta para executar o plantio.

O ideal é instalar a grama o mais rapidamente possível após a entrega. Se houver uma interrupção, mantenha o material protegido do ressecamento e siga as orientações do fornecedor. Confira também se as placas chegaram com raízes e terra aderida, sem sinais de apodrecimento ou aquecimento excessivo.

Não compre toda a grama numa sexta-feira à tarde se ninguém pretende trabalhar no fim de semana.

Como assentar as placas corretamente

Comece por uma borda reta do jardim e avance colocando as placas justapostas, sem deixar espaços entre elas. Organize as juntas desencontradas, como numa alvenaria, evitando formar linhas contínuas de emendas. Recorte as bordas com ferramenta adequada, sem deixar pedaços pequenos e soltos.

O segredo é garantir contato íntimo entre a terra da placa e o solo preparado. Se houver vazios sob a grama, as raízes terão dificuldade para alcançar o terreno e a superfície poderá apresentar depressões depois. Uma passada cuidadosa com rolo leve apropriado ou pressão uniforme, conforme a condição do solo, pode ajudar a acomodar as placas; não compacte excessivamente o terreno.

Não cubra as folhas com uma camada grossa de terra. Se houver pequenas frestas, complete-as com material de textura compatível, sem soterrar a grama. Evite caminhar repetidamente sobre as placas recém-instaladas.

Alguns construtores deixam pequenos intervalos para reduzir a quantidade comprada, contando com o crescimento lateral da grama. É possível, mas o fechamento será mais demorado e os espaços descobertos ficam mais sujeitos a ressecamento, erosão e aparecimento de ervas daninhas.

Depois de posicionadas, pressione as placas contra o solo para eliminar vazios e proporcionar bom contato entre raízes e terreno. Pode ser utilizada uma peça plana de madeira ou equipamento leve apropriado, tomando cuidado para não deformar a superfície.

Uma fina camada de terra vegetal pode ser distribuída principalmente nas juntas e pequenas falhas, sem enterrar as folhas. O objetivo é melhorar o contato e proteger as bordas contra o ressecamento.

A primeira irrigação e as semanas de enraizamento

Regue logo após o assentamento, molhando as placas e a camada superficial do solo abaixo delas. Nos primeiros dias, o objetivo é evitar que a interface entre placa e terreno seque enquanto as raízes começam a crescer.

Não existe um número fixo de minutos de irrigação válido para todos os jardins. Sol, vento, temperatura, tipo de solo e vazão do irrigador mudam muito a necessidade de água. Levante delicadamente a borda de uma placa em ponto de inspeção: a terra logo abaixo deve estar úmida, mas não encharcada. Ajuste a frequência conforme essa observação.

À medida que a grama enraíza, reduza gradualmente a frequência e passe a irrigar de maneira mais profunda, conforme o clima e as características do solo. Água demais pode ser tão prejudicial quanto água de menos.

Durante as primeiras semanas, o objetivo é manter a região das raízes úmida para favorecer o enraizamento. A frequência depende da temperatura, chuva, vento, tipo de solo e insolação. Em períodos quentes e secos, pode ser necessário irrigar diariamente no início; em tempo fresco ou chuvoso, a necessidade será menor.

Quando liberar o pisoteio e fazer o primeiro corte?

Evite circulação intensa enquanto as placas ainda puderem se deslocar. Para verificar o enraizamento, tente levantar muito suavemente uma pequena borda: quando oferecer resistência porque as raízes penetraram no terreno, é sinal de que o gramado está se estabelecendo. Não arranque placas para fazer o teste.

O primeiro corte deve ocorrer quando a grama estiver firmemente enraizada e tiver crescido o suficiente para o equipamento trabalhar sem deslocar as placas. Utilize lâmina afiada e retire apenas uma parte da altura das folhas por corte, evitando uma raspagem muito baixa. O momento exato varia conforme a estação, o clima e o vigor do gramado.

Nas primeiras semanas, observe manchas amareladas, juntas abrindo, placas levantadas e pontos encharcados. Esses sinais ajudam a corrigir problemas de irrigação, contato com o solo ou drenagem antes que grandes áreas se percam.

Formigas e outras pragas

Observe o jardim durante as primeiras semanas. Formigas cortadeiras podem causar danos importantes, principalmente em gramados recém-implantados e jardins com outras plantas jovens. Se encontrar trilhas, montículos de terra ou folhas cortadas, identifique o problema antes de utilizar qualquer produto.

Também podem aparecer insetos, fungos e outras doenças. Evite aplicar inseticidas ou fungicidas indiscriminadamente apenas porque o gramado começou a amarelar: falta de sol, excesso de água, deficiência nutricional e compactação do solo podem produzir sintomas semelhantes.

Descubra primeiro a causa. O tratamento errado pode acrescentar um problema químico ao problema que já existia.

Depois que pegou, começa a manutenção

Jardineiro aparando a grama com uma roçadeira

Um gramado bonito precisa ser cortado periodicamente. A frequência varia muito ao longo do ano: nos meses quentes e chuvosos o crescimento é mais rápido e os cortes são mais frequentes; em períodos frios ou secos, o intervalo aumenta.

Evite deixar crescer excessivamente para depois retirar grande parte das folhas em um único corte. Cortes regulares produzem um gramado mais uniforme. Mantenha também as lâminas do cortador afiadas para não rasgar as folhas.

Outro trabalho permanente é o controle de ervas daninhas. Quando aparecem poucas, a retirada manual é simples e evita sua disseminação. Um gramado denso e saudável naturalmente ocupa melhor o solo e reduz espaço para invasoras.

Periodicamente também pode ser necessária nova adubação, correção de pequenas depressões e recuperação de regiões desgastadas pelo tráfego.

Existem outras gramas além da esmeralda

A grama-esmeralda é muito popular, mas não é necessariamente a melhor escolha para todos os locais.

  • Grama São Carlos: possui folhas mais largas e apresenta melhor tolerância à meia-sombra e solos mais úmidos, sendo interessante para jardins residenciais com árvores.
  • Grama Santo Agostinho: também apresenta folhas largas e tolera alguma sombra e condições litorâneas, sendo bastante utilizada em paisagismo.
  • Grama Bermuda: possui excelente resistência ao pisoteio e rápida recuperação, sendo muito utilizada em áreas esportivas e locais ensolarados; exige cortes e manutenção mais frequentes.
  • Grama Batatais: é rústica, resistente e adequada para grandes áreas, taludes e locais de manutenção menos intensa, mas possui aparência menos delicada que a esmeralda.

Em locais de sombra muito intensa, mesmo espécies mais tolerantes podem não formar um gramado satisfatório. Nesses casos, vale mudar a solução paisagística em vez de insistir em plantar grama onde ela não consegue viver bem.

Placas não são a única forma de plantar

Além das placas e rolos, gramados podem ser implantados por sementes, mudas, plugs e outros métodos, dependendo da espécie. Essas soluções normalmente apresentam custo inicial menor, mas levam mais tempo para fechar completamente a superfície.

Em grandes áreas e principalmente em taludes, existe ainda a hidrossemeadura. Nesse processo, sementes, água, fertilizantes, fibras e outros componentes são projetados sobre o terreno formando uma camada que favorece a germinação e ajuda a proteger o solo contra erosão.

A hidrossemeadura pode ser muito eficiente em grandes superfícies, mas para um pequeno jardim residencial as placas prontas continuam sendo uma solução prática porque proporcionam resultado visual praticamente imediato.


Resumo — os segredos do plantio

  • Retire entulho, corrija desníveis e descompacte a camada superficial antes de plantar.
  • Resolva empoçamentos e problemas de drenagem antes de cobrir o terreno.
  • Corrija pH e adubação conforme as necessidades reais do solo; excesso de fertilizante prejudica o gramado.
  • Não insista em grama-esmeralda em locais de sombra intensa.
  • Programe a entrega para assentar as placas rapidamente.
  • Coloque placas justapostas, com juntas desencontradas e bom contato com o solo.
  • Regue logo após o plantio e confira a umidade abaixo das placas, sem encharcar.
  • Evite pisoteio e corte até que as raízes estejam firmes no terreno.
  • Observe formigas, ervas daninhas, pragas e sinais de doenças.
  • Faça cortes periódicos, ajustando a frequência conforme a estação e o crescimento.
  • Existem outras espécies mais adequadas para sombra, tráfego intenso ou grandes áreas.
  • Hidrossemeadura, sementes e plugs são alternativas às placas em determinadas situações.

Um gramado bonito começa antes da chegada das placas. Preparação do solo, contato entre placa e terreno e irrigação inicial bem controlada são os detalhes que mais ajudam a transformar placas recém-colocadas em um gramado uniforme e duradouro.

Plantar grama realmente não é um serviço complicado. O segredo está em entender que a placa verde que vemos é apenas a parte de cima do sistema: o verdadeiro sucesso do gramado acontece nas raízes e no solo existente embaixo delas.

Prepare bem o terreno, escolha a espécie adequada ao sol disponível, cuide da água nas primeiras semanas e deixe as raízes fazerem o restante do trabalho. Um bom gramado começa muito antes de ficar verde.

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