Qual o melhor bloco para se construir uma parede?
Não existe o “melhor bloco” para construir paredes. Cada tipo de bloco apresenta vantagens e desvantagens que o tornam mais adequado para determinadas situações. A escolha depende de diversos fatores, como o clima da região (se é de temperaturas amenas ou extremas), as exigências de conforto térmico e acústico, o nível de segurança desejado, o custo da obra, a velocidade de execução, a disponibilidade de materiais na região da obra e até mesmo o tipo de parede (se é estrutural, não estrutural, reforma etc.). Antes de decidir, é importante conhecer as características dos principais tipos de blocos usados na construção civil.
Os materiais mais utilizados no Brasil para a execução de paredes são os blocos de concreto, os blocos cerâmicos, os tijolos maciços e os tijolos cerâmicos vazados. Há ainda blocos especiais, como os de concreto celular autoclavado (CCA ou AAC), extremamente leves e fáceis de trabalhar, porém com custo mais elevado. Esses blocos especiais são ideais para obras de reforma em que se deseja construir paredes sobre lajes existentes, sem aumentar significativamente a carga sobre a estrutura.
Os blocos de concreto são resistentes, possuem boa capacidade estrutural e apresentam baixa taxa de quebras, o que reduz desperdícios. A execução costuma ser rápida devido às dimensões maiores e à regularidade das peças, que facilitam o alinhamento, o prumo e o nível. Também são muito práticos para a instalação de eletrodutos e canalizações, pois permitem cortes mais limpos com ferramentas elétricas. Em contrapartida, o conforto térmico pode ser inferior em regiões muito quentes, e o peso próprio da parede é maior em comparação a outros blocos.
Os blocos cerâmicos oferecem melhor desempenho térmico e acústico, além de serem mais leves. Nas linhas mais comuns — como o “baianinho” e o “baianão” — há diversidade de tamanhos e espessuras, permitindo ao projetista e ao construtor adaptar a parede às necessidades da edificação. Por outro lado, os blocos cerâmicos são mais frágeis que os blocos de concreto, o que pode resultar em maior desperdício por quebra, principalmente em canteiros com mão de obra pouco treinada ou com logística inadequada de transporte e armazenamento.
Quando a parede faz parte do sistema resistente da edificação, estamos falando de alvenaria estrutural. Nesse caso, a escolha do bloco não é opcional: o projeto estrutural define o tipo de bloco, sua resistência à compressão, as dimensões, a modulação e detalhes como grauteamento e armaduras. Em paredes apenas de vedação (alvenaria não estrutural), há mais liberdade para escolher entre blocos cerâmicos ou de concreto, tijolos vazados ou até concreto celular, mas ainda assim é fundamental considerar o peso final da parede, especialmente em edifícios de múltiplos pavimentos.
Mesmo dentro de uma mesma família de blocos, as diferenças entre espessuras podem ser significativas. Um bloco de concreto de 9 cm é mais leve e costuma ser utilizado em divisórias internas sem função estrutural. O bloco de concreto de 14 cm é muito empregado em paredes estruturais ou de vedação mais robusta, enquanto o bloco de concreto de 19 cm pode ser escolhido quando se deseja maior isolamento acústico ou quando o projeto estrutural exige seções mais espessas. Situação semelhante ocorre com os blocos cerâmicos: o baianinho ocupa menos espaço e pode ser interessante em ambientes pequenos, enquanto o baianão oferece melhor desempenho de conforto, mas deixa as paredes mais espessas.
É importante lembrar que a parede ocupa área útil do imóvel. Em banheiros, lavabos, depósitos e corredores estreitos, ganhar 4 ou 5 cm de largura pode ser um diferencial relevante. Por isso, em alguns casos, optar por blocos mais finos traz vantagem em termos de aproveitamento de espaço, desde que sejam respeitadas as exigências de estabilidade e desempenho acústico.
Em projetos bem detalhados, o arquiteto ou o engenheiro já define o tipo de bloco a ser utilizado. Alterar esse material por conta própria é um erro frequente em obras. Cada tipo de bloco possui um peso próprio diferente, e essa carga foi considerada nos cálculos estruturais e das fundações. Substituir blocos cerâmicos por blocos de concreto, ou trocar tijolinho baiano por tijolo maciço, sem a avaliação do projetista, pode gerar sérios problemas.
Em casas térreas e sobrados, embora a diferença de peso seja importante, muitas vezes o impacto estrutural é limitado, mas ainda assim podem surgir fissuras em paredes, recalques diferenciais e outras patologias. Já em edifícios de múltiplos pavimentos, o risco é muito maior. Uma parede de tijolo maciço pode pesar até sete vezes mais do que uma parede equivalente em tijolinho baiano. Essa diferença pode sobrecarregar pilares e fundações acima do previsto no projeto original, comprometendo a segurança da edificação.
Portanto, ao escolher o “melhor bloco”, deve-se analisar o custo, o desempenho térmico e acústico, a velocidade de execução, a facilidade de assentamento, o desperdício por quebra, a facilidade de instalar eletrodutos e canalizações, o peso final da parede e, principalmente, a compatibilidade com o projeto estrutural. O bloco “ideal” será aquele que equilibra todos esses aspectos para a realidade específica da sua obra, sempre com orientação de um profissional habilitado.