Reaterro com uso de compactador tipo Sapo
O reaterro consiste em recompor e compactar o solo depois da execução de uma escavação. É comum após a instalação de tubulações em valas, ao redor de caixas e estruturas enterradas e em outras situações nas quais o terreno foi removido durante a obra. A compactação é importante porque um reaterro executado apenas despejando terra dentro da escavação pode apresentar recalques posteriores, provocando afundamentos no piso, desníveis e outros problemas.
O compactador de percussão, conhecido nas obras como compactador tipo sapo, é um equipamento pequeno e muito utilizado em valas e locais onde equipamentos maiores não conseguem trabalhar. Apesar de facilitar bastante o serviço, seu uso não significa que todo tipo de solo possa ser compactado da mesma maneira. O material utilizado, a espessura das camadas, a umidade e as condições das estruturas próximas precisam ser observados durante a execução.
O reaterro deve ser executado em camadas
Um dos erros mais comuns é preencher uma vala ou escavação com uma grande quantidade de terra e tentar compactar somente a superfície. A energia do equipamento não consegue produzir o mesmo efeito em toda a profundidade de uma camada muito espessa, podendo permanecer solo pouco compactado nas regiões inferiores.
Por isso, o material deve ser colocado e compactado progressivamente. Quando o projeto, memorial ou especificação do serviço indicar a espessura máxima das camadas, essa orientação deve ser respeitada.
Na ausência de uma especificação própria para a obra, uma referência prática para pequenos serviços é executar o reaterro em camadas de aproximadamente 15 a 20 cm antes da compactação, evitando lançar grandes espessuras de solo de uma só vez. A espessura adequada também depende do tipo de solo, da umidade e da capacidade do equipamento utilizado.
O material do reaterro precisa ser adequado
Nem todo material retirado da escavação deve necessariamente voltar para a vala. Antes do reaproveitamento, observe se o solo apresenta condições adequadas e retire lixo, raízes, folhas, madeira e outros materiais orgânicos ou resíduos que possam se decompor ou criar vazios.
A própria terra escavada pode muitas vezes ser reaproveitada, desde que seja adequada ao serviço. Torrões muito grandes, pedras incompatíveis com a região que será aterrada e materiais que possam danificar tubulações ou dificultar a compactação precisam ser tratados ou retirados.
Também não é correto assumir que utilizar a mesma terra garante automaticamente que o terreno voltará às condições anteriores. A escavação altera a estrutura natural do solo, e o desempenho do reaterro dependerá da forma como o material for recolocado e compactado.
A umidade do solo influencia a compactação
Solo excessivamente seco ou muito molhado pode apresentar dificuldade de compactação. A condição adequada depende do material e, em serviços com controle tecnológico, pode ser determinada por ensaios e pelas especificações do projeto.
Em pequenas obras sem esse controle, evite simplesmente encharcar a terra para facilitar o trabalho. Se houver água acumulada na vala, procure primeiro identificar sua origem e retirar a água antes de continuar o reaterro.
Também não é recomendável compactar solo transformado em lama. Nessas condições, continuar acrescentando terra e utilizando o equipamento pode produzir uma camada aparentemente firme na superfície, mas com material inadequado abaixo dela.
Cuidado ao reaterrar valas com tubulações
Quando existem tubos dentro da vala, a prioridade inicial é preencher corretamente os espaços ao redor da tubulação sem deslocá-la ou danificá-la. O material e o procedimento dessa região devem respeitar as especificações do sistema instalado.
O compactador tipo sapo não deve ser utilizado de forma indiscriminada diretamente sobre uma tubulação recém-instalada. Antes de aproximar o equipamento, deve existir uma camada de material suficiente para proteger o tubo contra impactos e esforços excessivos, conforme as recomendações aplicáveis ao tipo de tubulação e ao serviço.
Nas laterais dos tubos e em locais onde o equipamento não alcança adequadamente, pode ser necessário executar o preenchimento e a compactação com procedimentos próprios antes de continuar as camadas superiores.
Cuidado próximo a paredes e estruturas enterradas
O mesmo cuidado vale para cisternas, caixas, piscinas, muros e outras estruturas. O compactador produz impactos repetidos e não deve ser utilizado junto a uma estrutura sem considerar se ela já possui condições de resistir aos esforços provocados pelo reaterro e pela compactação.
Em muros de arrimo, por exemplo, não se deve simplesmente despejar terra atrás do muro e iniciar a compactação. O sistema de drenagem previsto precisa estar executado e o reaterro deve seguir as condições consideradas no projeto.
Uma compactação inadequada pode causar recalques; por outro lado, uma compactação agressiva ou realizada de maneira imprópria também pode transmitir esforços indesejados às estruturas próximas.
Compactador tipo sapo ou placa vibratória?
Os dois equipamentos podem ser utilizados em valas e áreas de difícil acesso, mas a escolha depende principalmente do tipo de solo. Em solos predominantemente argilosos ou siltosos, que possuem maior quantidade de partículas finas e normalmente precisam de uma ação mais intensa de impacto e amassamento, utilize preferencialmente o compactador tipo sapo. Seus golpes sucessivos ajudam a compactar esse tipo de material em espaços estreitos, desde que o solo esteja em condições adequadas de umidade.
Em solos predominantemente arenosos ou granulares, utilize preferencialmente a placa vibratória. Nesses materiais, a vibração favorece o rearranjo e a aproximação dos grãos, proporcionando boa compactação. Portanto, em uma vala, não escolha o equipamento apenas pelo espaço disponível: de forma prática, solos argilosos ou siltosos → compactador tipo sapo; solos arenosos ou granulares → placa vibratória. Em solos mistos ou quando houver especificação de projeto, siga a solução indicada para o material e para o grau de compactação exigido.
Em áreas maiores, podem ser utilizados rolos compactadores e outros equipamentos com produtividade muito superior. Portanto, escolher o equipamento apenas porque ele cabe dentro da obra não garante que seja o mais adequado ao material que será compactado.
Como executar o serviço
Antes de iniciar, retire água acumulada, resíduos e materiais inadequados. Verifique também se tubulações, caixas, impermeabilizações, drenagens e demais elementos que ficarão enterrados estão concluídos e liberados para receber o reaterro.
Espalhe a primeira camada de solo com espessura compatível com a especificação do serviço ou, na ausência dela, utilizando a referência prática indicada anteriormente. Regularize o material e faça passadas sucessivas com o compactador, procurando trabalhar toda a área acessível de maneira uniforme.
Depois da compactação, coloque a camada seguinte e repita o procedimento. Continue dessa forma até atingir a cota prevista. Se o solo começar a apresentar comportamento muito diferente durante o serviço — excesso de água, deformação, afundamento persistente ou dificuldade de compactação — não tente resolver apenas aumentando indefinidamente o número de passadas.
Controle de compactação em serviços que exigem desempenho especificado
Em obras nas quais o projeto estabelece grau de compactação, umidade ou outros requisitos de desempenho, a qualidade do reaterro não deve ser avaliada apenas observando se a superfície “ficou dura”. Devem ser utilizados os controles e ensaios previstos na especificação.
Esse cuidado é particularmente importante quando o reaterro terá responsabilidade relevante no desempenho da obra, receberá pavimentos ou cargas importantes, ou estiver associado a estruturas cuja movimentação possa causar danos.
Segurança durante o uso do compactador
O compactador tipo sapo é uma máquina motorizada que produz impactos e vibrações intensas. O operador deve conhecer o equipamento, manter controle durante as passadas e utilizar os equipamentos de proteção indicados para o serviço e pelo fabricante.
O equipamento não deve ser operado em condição instável, sobre bordas inseguras ou em locais onde o trabalhador possa ficar exposto a desmoronamento, queda ou aprisionamento.
Em valas e escavações, a segurança do local precisa estar resolvida antes da entrada do trabalhador e do equipamento. O uso do compactador não modifica os requisitos de proteção aplicáveis à escavação.
Equipamentos com motor a combustão também exigem atenção especial em locais fechados ou pouco ventilados. Não utilize equipamento a combustão em ambiente onde os gases de escape possam se acumular e colocar os trabalhadores em risco.
Observações adicionais:
- Execute o reaterro em camadas sucessivas e respeite a espessura indicada no projeto ou na especificação do serviço.
- Na ausência de especificação, camadas de aproximadamente 15 a 20 cm antes da compactação são uma referência prática para pequenos serviços, devendo ser ajustadas às condições do solo e do equipamento.
- Não utilize terra com lixo, raízes, matéria orgânica ou outros materiais inadequados.
- Evite compactar solo encharcado ou com água acumulada na escavação.
- Proteja tubulações e estruturas enterradas antes de aproximar o compactador.
- Não considere compactador tipo sapo e placa vibratória como equipamentos equivalentes para qualquer solo.
- Quando houver exigência de grau de compactação, siga os controles e ensaios previstos na especificação da obra.
- Antes de trabalhar dentro de valas, verifique se as condições de segurança da escavação estão adequadamente resolvidas.
- Evite operar equipamentos com motor a combustão em locais onde os gases de escape possam se acumular.