Remoção de cobertura com telha de fibrocimento
A remoção de coberturas em telhas de fibrocimento é um serviço comum em obras de reforma e retrofit com substituição de coberturas antigas. Trata-se de uma atividade que exige extremo cuidado, especialmente em edificações construídas antes da proibição do uso de amianto (asbesto) na fabricação dessas telhas. No Brasil, o amianto foi proibido definitivamente em 2017, após decisão do STF. Portanto, qualquer cobertura instalada antes de 2017 pode potencialmente conter esse material cancerígeno. A legislação não exigiu a remoção das telhas já existentes, de forma que é comum encontrá-las em reformas de casas, galpões e prédios mais antigos.
Quando houver suspeita de presença de amianto — e como regra, toda telha antiga deve ser tratada como suspeita — os cuidados devem ser redobrados. Os trabalhadores devem usar EPIs adequados, incluindo máscara PFF2 ou PFF3, luvas de borracha ou nitrílicas, óculos de proteção, roupa de manga comprida e botas antiderrapantes. O manuseio deve evitar qualquer dano ou quebra da telha, pois é justamente a liberação de partículas que representa o maior risco à saúde. O material com amianto deve ser acomodado inteiro, umedecido levemente para evitar poeira e embalado em plástico resistente antes do descarte.
O descarte de telhas com amianto possui regras específicas: o material deve ser encaminhado para aterros licenciados para resíduos Classe I (perigosos), e não pode ser descartado em caçambas comuns. É necessário consultar a prefeitura ou empresa especializada para realizar o transporte e destinação final conforme normas ambientais. Por outro lado, telhas de fibrocimento sem amianto podem ser descartadas em caçambas de entulho Classe A, desde que inteiras ou em partes grandes.
Quanto à identificação visual: não é possível, de forma simples, assegurar se a telha contém ou não amianto apenas olhando. A diferenciação precisa só é possível com análise laboratorial. Assim, na prática, considera-se como suspeitas todas as telhas instaladas antes de 2017.
No caso de remoção de telhas não fabricadas com amianto, existe a possibilidade de reaproveitamento. Nesse cenário, recomenda-se retirar as telhas com o máximo de cuidado, iniciando sempre pela cumeeira e avançando em direção às partes inferiores. Os parafusos de fixação podem estar oxidado, dificultando o desrosqueamento; em alguns casos, será necessário cortar a cabeça do parafuso com uma lixadeira. Entretanto, deve-se avaliar se esse esforço vale a pena financeiramente, considerando que telhas de fibrocimento são materiais de baixo custo, e o trabalho de remoção cuidadosa pode ser mais caro do que adquirir telhas novas.
Durante o processo, é fundamental verificar as condições da estrutura de apoio (madeiramento ou estruturas metálicas). Peças apodrecidas ou muito oxidadas podem ceder, causando acidentes graves. Por isso, a inspeção da estrutura deve ser parte obrigatória do serviço.
Se as telhas forem destinadas ao descarte, elas devem ser empilhadas com cuidado, transportadas com luvas e colocadas em local seguro até a retirada. Em reformas, pisos e áreas acabadas devem ser protegidos para evitar danos durante a movimentação do material.
Como em qualquer serviço de desmontagem, os operários precisam estar orientados sobre os itens que devem ser preservados, como pisos, esquadrias ou equipamentos existentes no imóvel.
Observações adicionais:
- Em telhados antigos, considere sempre a presença de amianto; proteção respiratória é indispensável.
- O serviço deve ser realizado apenas em condições de tempo seco, evitando escorregamentos.
- No caso de telhas reaproveitáveis, armazene-as na posição horizontal, apoiadas em superfícies planas e protegidas da chuva.
- Normas de segurança da NR-18 e normas ambientais locais devem ser rigorosamente seguidas.