Armação para Concreto Armado
Os serviços de armação para concreto armado envolvem o corte, a dobra e a montagem das barras de aço que irão compor a estrutura da edificação — pilares, vigas, lajes, blocos e fundações. Trata-se de um serviço técnico fundamental para a segurança da obra, que deve seguir rigorosamente o projeto estrutural. Este item quantifica principalmente a mão de obra necessária para corte, dobra e montagem das armações; a aquisição do aço e os demais serviços devem ser conferidos na composição do orçamento.
Comprar aço cortado e dobrado ou preparar na obra?
Muitos construtores optam por comprar o aço já cortado e dobrado em distribuidoras especializadas. Essa escolha pode aumentar a precisão das peças e reduzir a mão de obra e o espaço necessário para preparação no canteiro, embora o preço do material fornecido dessa forma possa ser maior. Preparar o aço na obra permite organizar cortes e dobras conforme o andamento dos serviços e, em determinadas situações, reduzir o custo de aquisição.
Em reformas, instalações ocultas e outras situações imprevistas podem exigir alterações no detalhamento. Comprar peças prontas não impossibilita alterações, mas pode dificultá-las e gerar perdas ou custos de refabricação. Qualquer alteração de bitola, quantidade, posição, emenda, comprimento ou geometria das barras deve ser avaliada e aprovada pelo responsável pelo projeto estrutural, com atualização do detalhamento quando necessária. Não cabe ao armador improvisar modificações.
Conferência das armaduras antes da concretagem
Como a armação está diretamente ligada à segurança estrutural, o engenheiro responsável deve conferir o conjunto antes da concretagem. Isso inclui verificar diâmetro das barras (bitolas), quantidade, comprimentos, ângulos de dobra, espaçamento dos estribos, ganchos, emendas, ancoragens e reforços localizados. Divergências podem comprometer o desempenho do elemento e devem ser resolvidas antes do lançamento do concreto.
Também é importante conferir a identificação das peças recebidas, confrontando etiquetas e romaneios com os desenhos do projeto. Organizar o aço por elemento estrutural evita trocas entre armaduras semelhantes e agiliza a montagem.
Cobrimento de concreto e uso de espaçadores
Durante a montagem, as ferragens não devem encostar nas formas. É necessário manter ao redor do aço uma camada de concreto denominada cobrimento, que contribui para sua proteção contra a corrosão e para o desempenho da estrutura. Para isso, utilizam-se espaçadores apropriados, geralmente plásticos ou de material compatível, escolhidos conforme o elemento e o detalhamento.
Em orientações práticas de pequenas obras, aparecem referências como 2,0 cm em lajes, 2,5 cm em vigas e 3,0 cm em pilares, ou 4,0 a 5,0 cm em determinadas situações de contato com solo ou exposição mais severa. Esses números são apenas exemplos e não devem ser adotados automaticamente. O cobrimento nominal efetivo depende da classe de agressividade ambiental, do tipo de elemento, das condições de execução e das especificações do projeto estrutural, conforme a ABNT NBR 6118 aplicável.
Na compra dos espaçadores, confira o cobrimento nominal indicado nos desenhos, e não apenas uma medida genérica de catálogo. Os espaçadores precisam ter quantidade, distribuição e resistência adequadas para que a armação não se desloque durante a concretagem.
Preparação das armações na bancada
Normalmente, as armações de vigas e pilares são preparadas em uma bancada de armação, onde as barras são medidas, cortadas e dobradas com ferramentas apropriadas, como mesa e chaves de dobrar ferro, ou máquinas de corte e dobra em obras maiores. As dobras devem respeitar as dimensões e os raios especificados, sem aquecimento ou adaptações improvisadas.
Depois de montadas, as armações são transportadas até as formas. Em peças pequenas, a movimentação manual por dois a quatro serventes pode ser uma referência prática, dependendo do peso e do tamanho. Entretanto, a quantidade de pessoas não garante, por si só, uma movimentação segura: é preciso avaliar o trajeto, os obstáculos, o centro de gravidade e a necessidade de equipamentos de içamento. Para peças grandes ou pesadas, pode ser mais adequado montar a armação próxima ao local de instalação.
Recebimento e conservação do aço
Inspecione as barras no recebimento. Oxidação superficial leve não significa necessariamente que o aço esteja inutilizado; a avaliação deve considerar as condições da superfície, a existência de material solto e, principalmente, sinais de corrosão profunda ou perda de seção. Barras com deterioração relevante devem ser separadas para avaliação técnica e não utilizadas indiscriminadamente. Peças com barro, graxa ou outras contaminações prejudiciais devem ser limpas antes da montagem.
Armazene o aço de maneira organizada, preferencialmente afastado do contato direto com solo e lama. A identificação por bitola e elemento facilita a conferência e reduz desperdícios.
Proteção das armaduras durante a concretagem
Evite que os operários caminhem diretamente sobre as armações, especialmente nas lajes, onde as barras negativas podem se deslocar ou deformar. Quando for necessário circular sobre a área, utilize passarelas ou pranchas resistentes e firmemente apoiadas, previstas no procedimento de execução, sem sobrecarregar ou deslocar a armadura.
Antes da concretagem, confira novamente a posição das barras, os espaçadores, as emendas, os reforços e a limpeza do conjunto. Durante o lançamento e o adensamento (vibração) do concreto, a equipe deve observar possíveis deslocamentos e comunicar imediatamente qualquer irregularidade ao responsável técnico.
Quanto aço considerar no orçamento preliminar?
Para uma estimativa inicial de custos, pode-se utilizar como ordem de grandeza o consumo de aproximadamente 22 kg de aço por metro quadrado de área construída em determinadas edificações de concreto armado. Essa é uma referência prática de planejamento, não um índice universal: o consumo real varia com o número de pavimentos, vãos, cargas, tipologia estrutural, fundações e demais características do projeto.
Exemplo: para 100 m² de área construída, a referência de 22 kg/m² resulta em cerca de 2.200 kg de aço. Esse número serve somente para estimar a ordem de grandeza do investimento. Não utilize essa estimativa para comprar as barras ou contratar o corte e dobra definitivos. A quantidade correta deve ser levantada nas listas de aço e nos desenhos do projeto estrutural.
Observações adicionais
- Comprar o aço cortado e dobrado pode reduzir o tempo de preparação no canteiro, mas alterações posteriores podem exigir refabricação e custos adicionais; mudanças estruturais dependem de aprovação do projetista.
- As armações devem seguir o projeto estrutural, sem improvisações de bitolas, dobras, emendas ou posições.
- Utilize espaçadores adequados ao cobrimento nominal indicado no projeto.
- Inspecione o aço recebido: diferencie oxidação superficial de corrosão profunda, material solto e perda de seção.
- Os aços utilizados em estruturas de concreto incluem as classes CA-25, CA-50 e CA-60; a classe e a bitola de cada barra devem corresponder ao projeto.
- Como referência preliminar de orçamento, o consumo de 22 kg de aço por m² de área construída pode ajudar a estimar custos, mas não substitui o quantitativo extraído do projeto.
- Use passarelas seguras para circulação durante a montagem e a concretagem, evitando deslocar ou deformar as armaduras.
Referências Técnicas (5)
- ABNT NBR 14931 — Execução de estruturas de concreto armado, protendido e com fibras — Procedimento
- ABNT NBR 7480 — Aço destinado às armaduras para estruturas de concreto armado — Requisitos
- NR-18 consolidada
- Aço exposto por algum tempo, ficou na dúvida se pode ser empregado?
- Catálogo ABNT — identificação da NBR 6118:2026