Por Eng. Renato Castanho Savio Publicado em

Impermeabilização com Manta Líquida

Aplicação de manta líquida impermeabilizante sobre laje de concreto

A manta líquida é um impermeabilizante aplicado diretamente sobre a superfície em várias demãos, formando depois da secagem uma membrana contínua, sem as emendas características das mantas fornecidas em rolos. É uma solução muito utilizada em lajes e coberturas expostas, mas seu bom funcionamento depende principalmente da preparação da base, do correto escoamento da água e do respeito às instruções do fabricante.

Existem diferentes tipos de produtos comercializados como manta líquida. São comuns as versões à base de resinas acrílicas, mas também existem produtos com outras composições e características. Por isso, antes de comprar, é importante verificar se o produto é indicado para a superfície e para as condições de uso da área que será impermeabilizada.

Onde a manta líquida pode ser utilizada?

Dependendo do produto, a manta líquida pode ser indicada para lajes de concreto, marquises, coberturas, calhas e alguns tipos de telhas. Uma de suas vantagens é ser aplicada a frio e moldada no próprio local, acompanhando cantos, ralos, tubos e outros detalhes da superfície.

Isso não significa, porém, que qualquer manta líquida possa ser utilizada em qualquer situação. Existem produtos destinados a áreas sem circulação de pessoas, outros que admitem apenas trânsito eventual e sistemas específicos para condições diferentes de exposição. Piscinas, reservatórios, áreas enterradas ou superfícies sujeitas à pressão de água pelo lado contrário ao da impermeabilização também podem exigir outros produtos.

Antes da aplicação, consulte sempre a ficha técnica do fabricante e confirme se a manta escolhida é apropriada para o local.

A preparação da superfície é fundamental

A manta líquida não deve ser utilizada para esconder defeitos da base. A superfície precisa estar firme, limpa e livre de poeira, óleo, graxa, partes soltas e outros materiais que possam prejudicar a aderência.

Fissuras, buracos, falhas no concreto e regiões deterioradas devem ser avaliados e tratados antes da impermeabilização. Se houver movimentação importante ou fissuras ativas, simplesmente cobrir o problema com manta líquida pode não resolver a causa da infiltração.

Em lajes, também é necessário verificar a regularização e o caimento para os ralos ou pontos de saída da água. A manta impermeabiliza a superfície, mas não corrige uma laje onde a água fica empoçada por falta de caimento adequado.

Regularização e caimento da laje

Quando a base não apresenta superfície adequada ou não conduz corretamente a água para os ralos, pode ser necessário executar previamente uma camada de regularização com argamassa.

Essa camada deve formar uma superfície contínua e com caimento adequado para os pontos de drenagem. A declividade, o traço da argamassa, a espessura e o tempo necessário antes da impermeabilização dependem das condições da obra e do sistema adotado.

Nos encontros entre piso e parede, cantos muito vivos podem dificultar a continuidade do sistema. Dependendo da solução especificada, esses encontros recebem tratamento próprio, assim como ralos, passagens de tubos, juntas e demais pontos críticos.

Como é feita a aplicação?

A manta líquida é normalmente aplicada com rolo, trincha, broxa ou outro equipamento recomendado pelo fabricante. O produto deve ser homogeneizado antes do uso e distribuído de maneira uniforme.

Em muitos sistemas são aplicadas várias demãos, frequentemente em sentidos cruzados, para formar uma camada contínua e atingir o consumo necessário por metro quadrado. Alguns fabricantes orientam diluição da primeira demão; outros estabelecem procedimentos diferentes.

Por esse motivo, não existe uma quantidade de demãos, diluição ou intervalo de secagem que possa ser adotado como regra para todas as mantas líquidas. Utilize os valores indicados na ficha técnica do produto escolhido.

Também é importante respeitar o consumo recomendado. Espalhar excessivamente o produto para aumentar o rendimento pode produzir uma camada mais fina que a necessária e comprometer o desempenho da impermeabilização.

Quando utilizar tela de poliéster?

A tela de poliéster é utilizada em muitos sistemas para reforçar a impermeabilização e distribuir melhor os esforços em regiões mais sujeitas a movimentações.

É comum o reforço ser utilizado em pontos críticos, como cantos, ralos, passagens de tubulações, encontros entre piso e parede e regiões fissuradas. Dependendo do produto, do tamanho da área e das condições da base, o fabricante pode recomendar a tela também em toda a superfície.

A posição da tela entre as demãos também varia conforme o sistema. Ela deve ficar completamente incorporada ao impermeabilizante, sem rugas, bolhas ou regiões sem cobertura. Portanto, siga o procedimento indicado para a manta utilizada.

Cuidados com ralos, paredes e outros detalhes

Grande parte dos problemas de impermeabilização ocorre nos detalhes, e não no centro da laje. Ralos, tubos que atravessam a cobertura, encontros com paredes, juntas e mudanças de nível precisam receber atenção especial.

A impermeabilização deve manter continuidade nesses pontos. Nos encontros com paredes, o sistema normalmente precisa subir verticalmente até a altura prevista no projeto ou na solução adotada, com preparação adequada da superfície.

Não improvise a altura dessa subida ou o tratamento de ralos e juntas apenas repetindo uma medida utilizada em outra obra. Esses detalhes devem ser compatíveis com o sistema impermeabilizante e com as condições do local.

Evite aplicar em condições inadequadas

A superfície e as condições climáticas precisam ser compatíveis com as orientações do fabricante. Chuva, superfície molhada, excesso de umidade, vento forte ou temperaturas inadequadas podem prejudicar a formação da membrana.

Também é necessário respeitar o tempo de secagem entre as demãos e o período necessário antes de expor a impermeabilização à chuva ou realizar outros serviços sobre ela.

Faça o teste de estanqueidade

Depois que o sistema estiver completamente aplicado e tiver cumprido o período de cura indicado pelo fabricante, pode ser necessário realizar um teste de estanqueidade antes de liberar a área ou executar as camadas seguintes.

Esse teste ajuda a identificar falhas enquanto a impermeabilização ainda está acessível para inspeção e correção. O procedimento e o momento adequado devem respeitar o sistema utilizado e as condições da obra.

Manta líquida não é pintura betuminosa

É importante não confundir diferentes sistemas de impermeabilização. Manta líquida acrílica, membranas asfálticas aplicadas no local, pintura betuminosa, argamassa com aditivo impermeabilizante e manta asfáltica em rolo são soluções diferentes, com propriedades e aplicações próprias.

Da mesma forma, a preparação utilizada sob uma manta líquida não deve ser confundida com a própria camada impermeabilizante. Uma argamassa de regularização, por exemplo, pode preparar a superfície e formar os caimentos, enquanto a manta líquida aplicada posteriormente constitui a membrana impermeável do sistema.

Na dúvida, verifique a descrição técnica do produto e evite combinar materiais diferentes apenas porque todos são comercializados para combater infiltrações.


Observações adicionais:

  • Confirme se a manta líquida escolhida é indicada para a superfície e para as condições de uso da área.
  • Prepare e limpe corretamente a base antes da aplicação.
  • Corrija problemas de regularização e caimento antes de impermeabilizar.
  • Dê atenção especial a ralos, cantos, tubos, juntas e encontros com paredes.
  • Utilize tela de poliéster nos locais e da forma recomendada pelo fabricante.
  • Respeite o consumo por metro quadrado, o número de demãos, a diluição e os intervalos indicados na ficha técnica.
  • Não utilize uma especificação de outro produto como regra para a manta escolhida.
  • Quando previsto para o sistema, realize o teste de estanqueidade antes de liberar a área ou executar o acabamento.
Referências Técnicas (5)

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