Como executar piso industrial em concreto para sobrecarga de 5 tf/m2
Este item se refere à execução de piso industrial em concreto armado, dimensionado para uma sobrecarga de 5 ton/m2. Utiliza concreto usinado fck 25 MPa , piso com espessura de 15 cm, armado com tela eletrosoldada. É uma solução robusta para áreas indústrias com tráfego de empilhadeiras e demandas de durabilidade.
Considerações gerais sobre a execução do piso:
- Considera-se que o solo foi bem compactado, em camadas, e com controle tecnológico.
- Considera-se que o local já possui uma sub-base em BGS (brita graduada simples) , compactada com placa vibratoria ou rolo liso, garantindo módulo de reação adequado e mitigando recalques diferenciais.
- A primeita tarefa para execução do piso será instalar uma lona plástica com 200 μm de espessura sobre solo, para criar uma barreira e bloquear umidade ascendente; além de garantir uma melhor cura do concreto (evita perda de água).
- Serão instalados espaçadores, treliça TH10L (Gerdau), vendido em barra de 12m, com o objetivo de manter a armação de distribuição e as barras de transferencia na posição correta.
- Será instalada armadura em tela eletrosoldada, vendida em paineis modulares de 2,45m x 6,00m, tela Q-196, (malha de 10cm x 10cm com ferros Ø 5mm), para resistir aos esforços de retração por variação térmica.
- A concretagem do piso será empreitada à uma empresa especializada, cujos serviços incluem o lançamento do concreto, nivelamento à laser e acabamento liso-polido realizado com desempenadeiras motorizadas. Processo conhecido no mercado como ”Piso OO”. Este tipo de acabamento permite aplicação posterior de revestimento em epóxi, PU ou cerâmica industrial.
- O piso terá juntas serradas com disco diamantado (profundidade de 4 cm), formando painéis com no máximo 16m2. Este serviço será empreitado à outra empresa especializada.
Sobre o desempenho mecânico:
- Em condições usuais, admite-se de forma conservadora, uma capacidade de carga distribuída de 50 kN/m² ( 5t/m²).
- Considera-se admissível cargas pontuais de até 40–60 kN (4 a 6 toneladas) com área de contato de 200×200 mm.
- O sistema atende adequadamente empilhadeiras de 3–4 toneladas com pneus infláveis, sob operação normal.
- Deve-se aguardar o período de cura do concreto para atingir as cargas de projeto, 28 dias contados a partir da concretagem.
Observações adicionais:
- O processo de polimento do piso é demorado, normalmente se estende à noite e de madrugada, mesmo se iniciando a concretagem logo cedo pela manhã. Portanto, é necessário que o local seja bem iluminado para que os operadores possam visualizar imperfeições e corrigi-las durante o polimento.
- O corte do piso (juntas serradas) deve ser realizado no dia seguinte a concretagem para se evitar trincas de retração.
- As barras de transferência Ø16×500 mm nas juntas das placas devem ter metade engastada, e metade engraxada, para permitir deslocamento horizontal das placas.
- Antes de aplicar revestimentos sensíveis, voce deve checar umidade residual do concreto e compatibilidade química do sistema de proteção.
- Pisos expostos a óleos, combustíveis, agentes químicos ou lavagem frequente devem receber
revestimentos epóxi/PU conforme o agente químico e o regime de limpeza. Proteja as juntas com mastiques adequados e detalhe canaletas/drenos quando houver necessidade. - Para sobrecargas maiores e utilização de equipamentos mais pesados, pneus maciços, corredores com alto fluxo ou manobras severas (giro em ponto); recomenda-se pisos com espessura de 18 a 20 cm, além de reavaliar a especificação do concreto, da armadura de distribuição (será dupla) e detalhamento geral das juntas de dilatação térmica.
Tolerâncias de Planicidade e Nivelamento – FF/FL (ACI 117 / ASTM E1155)
Os índices FF (Floor Flatness) e FL (Floor Levelness), definidos nas normas americanas ASTM E1155 e ACI 117, quantificam a qualidade geométrica de pisos de concreto. FF expressa a lisura local (ondulações de curto alcance), enquanto FL expressa o nivelamento global (inclinações em longo alcance). Valores maiores indicam melhor desempenho, reduzindo vibração de empilhadeiras, desgaste de rodas e problemas de prateleiras altas.
| Tipo de piso | FF (lisura) | FL (nivelamento) | Aplicação típica |
|---|---|---|---|
| Piso comum | ≈ 25 | ≈ 20 | Garagens, depósitos gerais |
| Piso industrial geral | ≈ 35 | ≈ 25 | Operação mista, empilhadeiras leves |
| Alta planicidade (nível a laser) | ≈ 50 | ≈ 35 | Logística com corredores largos, racks médios |
| Superflat | 60–80 | 40–50 | Centros de distribuição de alta precisão, racks altos |
O projeto do piso deve especificar os valores-alvo (FF/FL) e o plano de controle (áreas de ensaio, frequência e critérios de aceitação) conforme ACI 117.
Observe que:
- FF/FL não medem resistência; tratam exclusivamente da geometria da superfície.
- Manter painéis menores, bom adensamento, acabamento consistente e cura adequada favorece índices superiores.
- Defeitos comuns (serragens tardias, variações de abatimento, vento/sol) reduzem FF/FL de forma significativa.
- Para pisos com empilhadeiras trilaterais e racks altos, especifique “alta planicidade” ou “superflat” no memorial.
- Compatibilize FF/FL com exigências de planicidade/nivelamento do revestimento (epóxi/PU) e tolerâncias de instalação de racks.